27jan. 2017

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LIMITE DE CONSUMO NA BANDA LARGA FIXA É UM RETROCESSO, SEGUNDO CEO DA UPX TECHNOLOGIES

Imprensa, Internet by Fernanda Leite
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Para Bruno Prado, as operadoras estão incomodadas com o crescimento dos serviços de streaming e por isso estão pressionando o governo para limitar a Internet no Brasil

 

No começo de 2017, gerou polêmica a possibilidade das operadoras oferecerem planos de Internet fixa, com limite de download nas residências e empresas. Nestes pacotes, o serviço pode ser suspenso quando o usuário atinge uma determinada quantidade de arquivos e dados baixados. Atualmente, esse serviço é cobrado de acordo com a velocidade de navegação contratada, sem limite de uso da internet. Já o sistema com franquia limitada é o vigente na Internet móvel, dos celulares.

Bruno Prado, CEO da UPX Technologies fala sobre a pressão feita pelas operadoras para limitar o consumo da Internet banda larga, o impacto dessa medida nas empresas e como a Europa está lidando com essa questão. Confira!

 

Como enxerga a possível limitação da Internet que ronda o Brasil?

É um retrocesso. Temos razão para acreditar que, por conta da pressão de duas operadoras estrangeiras, nós podemos perder a liberdade de acesso, tornando-a condicionada ao tipo de conteúdo que consumimos. Ou seja, além dessas companhias cobrarem pela largura de banda, elas também cobrarão pelo que se trafega dentro dela. Em 2016, quando circulou a notícia de que poderiam ser criados pacotes com limites de dados para a banda larga fixa em um ou dois anos, a Anatel só voltou atrás por conta da pressão exercida pelo setor privado e consumidores, assim como fez o Kassab no começo de janeiro.

 

Quais são as motivações das operadoras para limitar a Internet no país?

É perceptível o incomodo das operadoras com o crescimento do streaming no Brasil. O streaming é um serviço baseado na conectividade física oferecida pelos provedores. Se, por exemplo, um cliente contratar o serviço de Internet da Vivo e assistir filmes na Netflix, ele estará consumindo dados e pagando para uma empresa utilizando o caminho físico da operadora, que por sua vez também fornece o mesmo conteúdo, porém, mais caro e com menos tecnologia. Diante desse cenário, as operadoras não querem mais perder o que ganharam no passado em recursos financeiros com o chamado triple-play, a combinação dos serviços de TV, Internet e telefone, forçando o usuário a pagar mais pelo acesso à Internet.

 

Qual seria o impacto dessas medidas nas empresas?

As empresas de comunicação como a Globo, Abril e outras que estão migrando seu conteúdo para o digital, devem sofrer bastante, pois seus usuários não consumirão mais produções ricas como vídeos e podcasts, por exemplo. Já para a Netflix, o impacto será avassalador. Dependendo do tamanho do pacote de dados, os clientes poderão consumir apenas dois ou três filmes por mês.

 

Esse tipo de limitação acontece em outros lugares do mundo?

Sim, na Europa existe o bloqueio por banda. Porém, os preços cobrados são justos e não há limitação na largura da banda, pois o modelo de negócio adotado desde o primeiro dia 0 foi este.

 

Os riscos de ataques aumentariam com essa limitação?

Os riscos para a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e governo aumentariam por conta do Hacktivismo. No ano passado, o grupo Anonymous derrubou o site da Anatel e, mais recentemente, vazou os dados do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab. Para os usuários comuns, no entanto, o risco continua o mesmo.